terça-feira, 27 de julho de 2010

Tenho em mim vários seres,
Deles não sei realmente qual sou.
Me surpreendo a cada novo eu que em mim crio.
Me pego fraca quando penso ser pedra,
e por vezes me pego forte como árvore quando penso ser flor.
Acho que sei de onde venho, mas não sei e nem almejo saber onde vou chegar, afinal cada novo eu me mostra novos caminhos,sem limites, apenas horizontes.
Sou mais do que cada um de mim pensa ser, pois amanha me pego pasma ao experimentar o que eu ontem jamais engoliria.Cada ser que em mim se apresenta deixa um gosto, e a angustia de lembrá-lo cada vez que como algo familiar. Familiar sim! Mas nunca igual...
Talvez seja por isso que é tão gostoso ser cada um de mim.Alguns, me julgam vulnerável as mudanças das coisas e das pessoas ao meu redor.
Outros, me julgam menino em busca de sonhos e fantasias que nunca se saciam.
Eu, me julgo feliz por ser outros que me encantam dentro de um eu só,porque infeliz seria eu, que não sei quantas vidas tenho, se não pudesse fazer desta o meu palco, com todos os personagens quanto eu puder sentir.
Aos meus personagens não dou falas, dou poesias;
não dou formas, dou filosofias;
não dou fatores precisos para que cheguem ao produto, dou sentidos para cada vão momento.
As vezes vivo espetáculos ate o final,outros interrompo por enxergar na platéia algo mais interessante para viver.
Mas um fato é que alguns espetáculos não tem fim, uns continuam levemente como vento suave que me acaricia sem que eu possa perceber,
de outros eu corro, choro, me limpo com bucha e sabão, digo que já estar na hora de ir, pois já estou com sono.
Mas alguns personagens insistem em ficar, como se sem mim eles não tivessem vida, não soubessem seguir seus rumos.
Aí eu desisto, e deixo-os rolar em mim a passeio, como numa estrada agradável de caminhar, de conhecer, de parar pra sentir o cheiro da chuva e o sabor das frutas.
Não sei quando vou parar,
mas uma certeza tenho: que até que esse dia chegue, me sentirei intensamente abençoada, por pertencer a vários mundos,já que mundo algum jamais me pertenceu.

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